Ela sentou-se nas escadas olhando o horizonte e o céu negro abater-se sobre o seu rosto.
Encaixou a cabeça entre as pernas e as lágrimas irromperam pelos olhos…
O peito gritava uma dor aguda, uma confusão complexa de sentimentos, de dor, de mágoa, de decepção.
Aquilo a que ela dedicara o seu tempo, aquelas pessoas a quem pedira socorro em tempos de sufoco eram agora meros pedaços de memórias de um tempo distante e longínquo, onde já nem o coração conseguia chegar…
O corpo tremia de cansaço, as olheiras marcadas deformavam-lhe o rosto e a pele seca demonstrava os maus-tratos cometidos em si mesma.
Levantou-se, tentou caminhar um pouco, mas as forças iam-se esgotando e o corpo tornava a quebrar, a cair no chão, sem nada que o amparasse.
Os joelhos já marcados das quedas estavam em carne viva, com o sangue seco, que nem os abutres quereriam sugar… Era um esqueleto humano despojado de algo merecedor de carinho, de amor, de afago…
Foi balanceando a sua figura ao longo do caminho inócuo, no qual esperava encontrar uma saída que a levasse de novo ao ponto de partida… mas a única saída que conseguiria encontrar seria a morte… breve e indolor… causada pelo esgotamento da sua alma já corroída…
Há 5 horas
